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sábado, 18 de julho de 2009

" JOY DIVISION "


O Joy Division foi, e é, uma das mais importantes bandas de rock da história. Fato incontestável. A prova disso é o culto na qual é alvo até hoje. Surgida em meio ao movimento pós-punk da prolífica Manchester, de onde não paravam de surgir bandas, todas influenciadas pela anarquia descabelada dos Sex Pistols. Ian Curtis, o genial vocalista, morto no auge, vai continuar para sempre sendo reverenciado pelo poder, lirismo e angústia de suas grandes canções. O grande mártir dos anos 80, suas lindas canções e sim, uma bela história.

No célebre verão de 1976, a Inglaterra foi percorrida por um ônibus lendário, carregando os Sex Pistols e os Heartbreakers de Johnny Thunder para a turnê Anarchy in the UK. Quase todas as prefeituras proibiram a turma de se apresentar. Mas, no Free Trade Hall de Manchester, o show acabou acontecendo. Na platéia, gente que no futuro seriam estrelas, como os futuros membros de Buzzcocks, The Fall, Magazine, Duruti Column, Smiths, e, é claro, Joy Division.

A idéia inicial de montar uma banda partiu de dois amigos inseparáveis, Peter Hook e Bernard Dicken. Ian Curtis era apenas um conhecido, um doido que andava por shows punks vestindo uma jaqueta com a palavra "ódio" pintada. Através de anúncios de jornal recrutaram Curtis , além de conseguirem um baterista, Terry Mason.

Diz a lenda que o grupo foi batizado de Stiff Kittens ("gatinhos rijos") por Pete Shelley, o cabeça dos Buzzcocks. Esta versão é contestada pelo livro An Ideal for Living, onde está escrito que tudo começou na casa onde moravam o empresário dos Buzzcocks e Howard Devoto (co-fundador do grupo, que saiu pra montar o Magazine). Uma bela noite, uma garota chamada Lou entrou na sala e disse: "Lá em cima está cheio de gatinhos durinhos", anunciando que a gata deles havia abortado toda a cria. Mas eles não estavam satisfeitos com o nome, soava como uma banda punk qualquer, o que definitivamente não era o caso. Optaram por Warsaw (Varsóvia), a partir de "Warzawa", faixa de Low, de David Bowie, na qual Ian era fanático. Este nome acabaria descartado para evitar confusões com a banda londrina Warsaw Pact.

Estrearam abrindo um show dos Buzzcocks, no final de maio de 1977, no Electric Circus - misto de galpão e night club que durou só até outubro daquele ano, mas foi o vértice da cena punk de Manchester. Comentário de um jornalista enviado para cobrir o evento, sobre o Warsaw: "Nem o mais demente metaleiro poderia se excitar com isso".

A banda ainda passaria o ano de 77 como Warsaw. Ao mesmo tempo que o punk tomava o poder e passava a ser a atração mais "quente" do show-biz, o quarteto abria muitos shows por clubes do norte da Inglaterra. O primeiro registro em vinil acabaria sendo "At a Later Date", incluída num EP ao vivo, gravado durante o fim de semana de despedida do Electric Circus, Short Circuit. É ouvir e constatar: o Warsaw era apenas mais uma banda punk, sem identidade além de um elo entre os Stooges e os Buzzcocks. Demorariam cerca de um ano para forjar uma alquimia sonora que deixaria uma marca incicatrizável no rostinho "adolescente" da música pop.

O novo batismo viria de um livro sobre sadomasoquismo nos campos de concentração alemães, The House Of Dolls. As chamadas "divisões da alegria" seriam os espaços reservados para as prostitutas e presas mantidas vivas para a diversão dos oficiais.

Começa a rolar constantes trocas de bateristas: sai Terry Mason (que havia sido forçado pela banda a aprender e tocar), entra Tony Tabac, sai Tony Tabac, entra Steve Brotherdale, sai Steve Brotherdale... A banda resolve colocar anúncios em lojas de discos com intuito de arrumar o batera definitivo. O experiente Stephen Morris, faz alguns testes e entra para a banda.

O Joy Division começa a investir na cena musical, e lança de modo independente o EP An Ideal For Living. O disco não foi bem recebido e teve má reputação. Porém, uma grande atuação em um show no Rafters Club chamou a atenção do DJ local, Rob Gretton (que viria a ser seu futuro empresário) e do apresentador de TV e empresário Tony Wilson, dono da gravadora independente Factory. Após uma tentativa frustada de lançar um disco pela RCA, acabam assinando com Wilson. Logo sai uma coletânea da gravadora, o EP duplo A Factory Sample, com duas músicas do Joy Division ("Digital" e "Glass"), junto de outras bandas como as fundamentais Duruti Column e Cabaret Voltaire. A banda estava com o repertório pegando fogo, anos-luz dos rascunhos do Warsaw.

Uma pessoa responsável pelo som poderoso do Joy Division é, com certeza, Martin Hannet. Grande produtor, mixava de forma inovadora o LP: colocou a bateria à frente de todos os instrumentos, fora o baixo ultra-melódico de Peter Hook, por trás de tudo a voz de Curtis, abrindo planos como o Saara dentro de uma música essencialmente compacta. A guitarra de Bernard, pouco aparecia. Ao ouvirem pela primeira vez a mixagem final do álbum, reações distintas: Bernard e Peter odiaram (acharam sombrio e pouco barulhento); Ian gostou; Tony Wilson, o chefão, adorou; a imprensa, caiu de quatro.

Unknown Pleasures foi lançado em junho de 1979 e colocou jornalistas dos quatro cantos da Inglaterra atrás da banda para marcar entrevistas e sessões de fotos. Não aceitavam de jeito nenhum. O disco era realmente maravilhoso: "Shadowplay", "Disorder", a linda "She´s Lost Control", clássico atrás de clássico. O que marcava as pessoas era a depressão das letras, que pareciam vindas de um velho a beira da morte. Uma resenha, no semanário inglês Sounds, intitulada Death Disco fez um comentário peculiar: "Quem estiver com depressão quando ouvir este disco, vai se atirar de uma janela". A popularidade da banda aumenta ainda mais com o lançamento do single "Transmission". Ao vivo, Ian Curtis tornava-se um espetáculo à parte, dançando freneticamente e simulando espasmos convulsivos. Na verdade, o estranho balé era uma alusão à epilepsia, doença controlável, à qual Ian travava uma batalha incessável. Muitas vezes mal se podia saber se eram convulsões verdadeiras ou se faziam parte do show.

O novo LP era aguardado ansiosamente. Após uma turnê européia, a banda vai para o Brittania Row Studios, de propriedade do Pink Floyd, e onde o Floyd gravou o multiplatinado Animals. A banda gravou rapidinho, no mesmo esquema do anterior, com produção de Martin Hannet novamente, mas o resultado... foi ainda melhor: Closer é uma obra-prima do começo ao fim. Um dos melhores discos dos anos 80, de todos os tempos. Porém, em 18 de Maio, Ian se vai. Havia traído a esposa em uma turnê na Bélgica. Quando confessou o erro, foi prontamente abandonado. Ouviu o ótimo The Idiot, de Iggy Pop, um de seus ídolos e se enforcou. Ninguém da banda chorou no funeral, e foi lançado Closer e o single de "Love Will Tear Us Apart", que ironicamente se tornou o maior sucesso da banda, e entrou pela primeira vez na parada inglesa. Em breve, Closer também conseguiria o feito. O disco é realmente maravilhoso: "Isolation" é genial com seu refrão, "Heart And Soul", "Decades"...

Com a morte de Ian, os remanescentes do Joy Division, recrutam a tecladista Gilliam Gilbert e montam o New Order, outra banda genial com seus toques eletrônicos, uma evolução da banda anterior. Mas isso é outra história.

Começam a pipocar as óbvias coletâneas póstumas. Still, coletânea dupla, saiu em 1981, com sobras de estúdio no disco 1 e último concerto da banda no disco 2. Em 1988 saiu a ótima Substance, só com canções que saíram em compactos, entre elas músicas raras como "Komakino" e "Incubation". Permanet, de 1995, só reúne o essencial da banda, é ótima para iniciados, mas não contém novidades. Genial é a caixa básica Heart And Soul, de 1997, com versões diferentes para clássicos e muita coisa ao vivo. Depois, surge o disco ao vivo Preston 28 February 1980, lançado em 1999, um grande show da banda, com versão de oito minutos para "The Eternal" e uma raivosa interpretação de "Colony".

Por fim, em 2001, é lançado mais um registro ao vivo da banda, o disco Les Bains Douches.
Uma coisa é certa: a genialidade de Ian Curtis estará sempre acima de oportunismos ou artistas que não honram o microfone que seguram. Um ser eterno, o grande mártir dos anos 80. Suas letras maravilhosas não vai sair da cabeça de seus fâs nunca. "And Love, love will tear us apart again...".


sábado, 22 de setembro de 2007

" DIRE STRAITS "



Dire Straits foi uma banda de rock britânica formada em 1977 por Mark Knopfler (guitarra e vocais), seu irmão David Knopfler (guitarra), John Illsley (baixo) e Pick Withers (bateria).
Embora formada em uma época em que o punk rock reinava absoluto, decidiram lidar com as convenções do rock clássico, firmando-se em uma sonoridade mais leve, que agradou ao público cansado do som superproduzido do rock dos anos 70. Não tardou para que a banda se tornasse conhecida mundialmente, ganhando o status de disco de platina logo em seu primeiro álbum.Entre suas canções mais conhecidas estão "Sultans of Swing", "Your Latest Trick", "Romeo and Juliet", "Private Investigations", "Money for Nothing", "Walk of Life", "Brothers in Arms" e "So Far Away"
Apesar do grande sucesso, a banda terminou sem estardalhaços em 1995, quando Mark Knopfler expressou o desejo de não mais fazer turnês em larga escala, passando imediatamente a se dedicar integralmente à sua carreira solo.
O Dire Straits gravou e lançou seu primeiro e auto-intitulado álbum em 1978, inicialmente no Reino Unido, para depois se espalhar pelo resto da Europa e então Estados Unidos. O single Sultans of Swing se alcançou as paradas britâncias.
O segundo álbum Communiqué foi lançado no ano
seguinte. As formações da banda mudaram durante os anos, restando somente Mark Knopfler e John Illsley como remanescentes da formação inicial.
Em 1980 a banda lançou seu terceiro álbum, Making Movies, marcando o início de arranjos mais complexos e produções que continuariam parecidas até o final do grupo, nos anos 1990. Contendo Romeo and Juliet, que se tornou um dos maiores hits da banda, o álbum também marcou a saida de David Knopfler enquanto sua produção ainda estava em progresso. O músico foi substituido por Sid McGinnis. Making Movies ainda contava com o tecladista Roy Bittan e foi produzido por Jimmy Iovine.
O tecladista Alan Clark e o guitarrista Hal Lindes se uniram à banda no quarto álbum, Love Over Gold, lançado em 1982 e primeiro álbum da banda produzido por Mark Knopfler. Logo após o lançamento do álbum o baterista Pick Withers deixou a banda para uma nova carreira no jazz. Seu substituto foi Terry Williams, anteriormente no Rockpile.Em 1983 foi lançado um EP contendo a canção Twisting by the Pool, sendo seguido pelo álbum ao vivo duplo Alchemy: Dire Straits Live, no ano seguinte.
O álbum Brother in Arms foi lançado em 1985 e se tornou o mais vendido do Reino Unido naquele ano, alcançando sucesso também internacionalmente. Foi origem de vários singles de sucesso, como o topo de paradas nos Estados Unidos Money for Nothing, que foi também o primeiro vídeoclipe apresentado na MTV do Reino Unido. Houve mudanças na formação da banda, com a adição do segundo tecladista Guy Fletcher e a saída de Hal Lindes durante as gravações, tendo sido substituido por
Jack Sonni. Apesar disso Hal permanenceu como membro oficial da banda até o lançamento do álbum. Além disso, Terry Williams tornou-se baterista. O sucesso comercial do disco foi ajudado pelo fato de ter sido um dos primeiros álbuns completamente gravado e produzido no então novo formato CD, levando aos admiradores da nova tecnologia a venerarem o álbum.
A turnê mundial da banda de 1985-1986 foi de sucesso fenomenal. Após tocar várias vezes no Wembley Arena, a banda também participou em 13 de julho de 1985 no Live Aid, tocando Money for
Nothing com a participação nos vocais de Sting. A turnê terminou no Entertainment Centre em Sydney. O sucesso do disco e a participação no Live Aid tornaram o Dire Straits a banda que mais vendeu em meados da década de 1980.
Em 1986, após o final da turnê de suporte ao álbum Brothers in Arms, a banda estendeu-se fora da mídia e Mark Knopfler concentrou-se em projetos solo, além de trilhas sonoras. O grupo reuniu-se novamente para o concerto de aniversário de 70 anos de Nelson Mandela em 1988, com a participação de Eric Clapton. No mesmo ano Terry Williams deixou a banda.
Após Knopfler ter trabalhado e participado de turnê com o Notting Hillbillies, o Dire Straits reuniu-se em 1990. O resultado foi o último álbum de estúdio da banda, On Every Street (1991), com sucesso e críticas moderadas. A turnê mundial de 1991-1993 não foi tão bem sucedida quanto a anterior. Em 1993 foi lançado o álbum ao vivo On the Night, documentando a turnê.

Membros fundadores

Mark Knopfler - vocal e guitarra (1977-1995)
John Illsley - baixo e back vocal (1977-1995)

Membros da última formação

Alan Clark - teclado (1980-1995)
Guy Fletcher - teclado e back vocal (1984-1995)

Membros antigos

David Knopfler - guitarra, teclado e back vocal (1977-1980)
Pick Withers - bateria, percussão e back vocal (1977-1982)
Hal Lindes - guitarra e back vocal (1980-1984)
Terry Williams - bateria e percussão (1982-1988)
Jack Sonni - guitarra e back vocal (1984-1988)
Chris White - saxofone (1984-1995)